quinta-feira, 4 de abril de 2013

# Eu cheiro livro...

Mania, vício, compulsividade...

XV Bienal do Livro do RJ - 2011
Quando era criança e meu pai recebia, ele sempre me levava pra comprar roupa. Ele achava isso muito importante. Eu sabia que era porque na infância "pobre" dele lá na 
Ilha Grande num dava pra ter muitas roupas (e, particularmente acho que na beira da praia nem precisava, né, rs). Mas pra ele se vestir bem era uma forma de impor respeito já na entrada, ou uma desculpa pra se vestir bem mesmo; tipo ficar na moda "coroa descolado". Nessas peregrinações estilísticas eu sempre dava um jeito de entrar com ele em uma livraria ou em um sebo, ele dizia "Vai vestir livro, meu filho?", eu respondia "Vou sim". E ele me olhava feio, e eu completava "Você num entendi pai, livro é uma roupa interior". Ele ria e eu acabava ganhando o livro e a roupa.

Com o tempo ele percebeu que pra mim livros vinham antes de roupa, e acho que por isso ele começou a deixar a gente na casa da minha avó e só levar minha mãe pra comprar roupa pra gente.

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